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Há 4 anos, a praça Zuccotti em Nova York chamava a atenção das lentes do mundo todo ao ser ocupada pelo movimento OcuppyWallStreet,  que declarou uma guerra pacífica ao 1% da população que controla a economia mundial. Recentemente, a internet entrou em polvorosa com cenas chocantes dos refugiados da guerra na Síria e inspirou centenas de artistas a criar trabalhos, expondo esse problema de calamidade pública. Enquanto isso, o incrível grafiteiro, artista e ativista inglês Banksy, abriu seu parque de subversão na Inglaterra e, ao invés de mostrar seu novo projeto em uma galeria hipster no leste de Londres, o artista ocupou um antigo parque abandonado na beira da praia para criar o parque de “confusões” (besmusement park, em tradução livre)  mais obscuro do mundo.

O que esses fatos têm em comum? Tudo. Desde 2011, sigo observando uma tendência  que chamei de Ativismo Irônico, hoje conhecido como aRtivismo. Embora não seja novidade, o Artivismo atingiu seu ápice neste ano, em Dismaland. A tendência se baseia na insatisfação gerada com a política, o social e a economia ao redor do mundo, expondo um sentimento geral de necessária mudança. De artistas conceituados a pessoas comuns, vemos a utilização de fenômenos da cultura de massa como crítica da sociedade do consumo, transmitindo mensagens sobre uma revolução possível e desejada.

Banksy acredita que “os maiores crimes do mundo não são cometidos por pessoas quebrando as regras, mas por pessoas seguindo as regras” e, apesar de “zoar” muitas marcas, o artista é um ótimo marketeiro. Junto a seus colegas de luta,  que vão de Ai WeiWei a Kidult, passando por Rage Art e Mundano, aqui no Brasil,  eles botam a boca no trombone, ou melhor, a tinta na parede e o dedo na ferida.

Enquanto os artistas denunciam marcas e governos, os profissionais do marketing continuam a criar desejos e vender produtos. Afinal, “se um publicitário fizer seu trabalho errado, ninguém vai morrer”. Má publicidade não mata mas, com certeza, afeta a vida de muita gente. E se você não quer ver seu trabalho/marca remixada/zoada/kibada, por alguém muito sarcástico e cheio de imaginação é bom prestar atenção nos problemas da sociedade atual antes de querer ganhar um Leão em Cannes.

Daniela Ruano para AL.

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