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Esses dias a professora de pilates comentou que o professor de ioga também era publicitário, mas que tinha abandonado a profissão. “Aliás, muita gente da área de vocês desiste né, por que será?”, o tom dela era de curiosidade mesmo. A colega de treino e também de profissão prontamente respondeu: “porque é fácil perder o sentido, no final das contas vender mais sabonete não vai mudar o mundo”. “Ta bom meninas, última vez esse circuito”, concluiu a professora.

Acho que esse mal de perder o sentido pode não ser exclusivamente da classe publicitária. Onde há pessoas, há crises existenciais e questionamentos profissionais com certeza. Satisfazer-se pode apresentar-se como o maior desafio de hoje em dia, porque parece ser necessário ser o melhor dos mundos para conquistar satisfação. A coleção de livros da The School Of Life traz um título dedicado ao assunto: Como ter o trabalho da sua vida – e ali se esclarecem alguns mitos, como o de que você precisa ser feliz trabalhando no lugar que garante o sustento da sua família. Não é bem assim, e pra começar é preciso dissociar trabalho e dinheiro. Ok, a principal motivação do trabalho não é mesmo o dinheiro, mas muita gente se ilude achando que a grana vai trazer toda e qualquer conquista, tapar todos os buracos. Meses depois aparecem as mesmas frustrações maquiadas de coisas diferentes.  No livro há vários exemplos de pessoas que começaram a ter dupla jornada, para poderem realizar um trabalho que realmente os satisfizessem, já que não poderiam abrir mão daquele que pagava as contas. Isso cheirava liberdade pra eles.

O ideal dos mundos, quase utópico alguns diriam, é conseguir não fazer distinção de dia útil para fim de semana, obrigação de prazer, roupa de trabalho e roupa de sair. Quem está conseguindo tem sido chamado de profissional do futuro – futuro é uma palavra que me remete a uma realidade ainda mais utópica, mas essa é outra pauta -, e Hermés Galvão, jornalista, falou na Vogue de maio que tomou coragem pra desistir da vida de workaholic para ter uma vida mais adequada ao que de fato ele é. “Quebrei o vidro, tirei o cinto; para mim agora é casual friday forever. Nunca mais cinza, cor de baia e repartição. Estou condenado a ser livre.”, conta ele.

Já tem por aí uma legião de gente mais cabeçuda tentando seguir esses passos e traçar o próprio caminho. Tomara que vire um bando. Gente livre é mais feliz e realizada.

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